EMERGÊNCIA: FAMILIAS, EM SITUAÇÃO INSUSTENTÁVEL, A SEREM DESPEJADAS ESTA SEMANA NO CONCELHO DA AMADORA

Por vê-mos, ouvimos e lê-mos, não podemos Ignorar, reproduzo o Comunicado de 4 Associações sobre a iminência de mais despejos no Bairro de Santa Filomena na Amadora.

Este bairro, como outros bairros pobres da Grande Lisboa, têm sido alvo de sucessivas ilegalidades, brutalidade policial – nomeadamente da Policia Municipal da Amadora e a autarca «socialista» têm vindo a alimentar esta situação recusando-se ao diálogo com os moradores e organizações sociais.

Em Assembleia no Bairro 6 de Maio, soubemos que a Câmara Municipal da Amadora se prepara para, durante esta semana (a partir de 9 Fev.) despejar mais famílias das suas casas. Dos cinco agregados familiares ameaçados por esta inaceitável violência, fazem parte crianças com menos de dez anos, mulheres, pessoas idosas, com problemas de saúde e desempregadas.

Não conseguimos sequer informação sobre a data exacta dos despejos pois nem essa informação é dada às pessoas.

Nós, representantes de diversas organizações e colectivos, alertamos para esta situação e convidamos de forma veemente a presença de todos e todas, e da comunicação social, pois esta é uma situação que diz respeito a todos os cidadãos e cidadãs deste país.

Desalojar, expulsar, usar de violência, brutalizar e privar, em pleno inverno, de uma casa seres humanos, não pode passar em silêncio. Fazê-lo é ser cúmplice de uma violação extremamente grave de direitos humanos.

HÁ PESSOAS DISPOSTAS A RESISTIR E IMPEDIR ESTES DESPEJOS!

Habita – Associação pela Direito à Habitação e à Cidade
SOS Racismo
Marcha Mundial das Mulheres
Centro Social Laranjinha

Contactos Telefónicos:

Joseph Silva – 910486567
Rita Silva – 916419605
Gonçalo Romeiro – 969590208

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Partidos, “independentes” e anti-partidos

Há tempos a esta parte cresce – ou pelo menos agita-se muito – a ideia que a solução dos nossos males sociais, económicos, politicos, culturais está nos “políticos“, que “são todos iguais“, que se “o Povo não votar eles aprendem“…

Quero, pois contar-vos uma história.

Em finais dos anos 60, andavam eu na Escola Preparatória Conde de Oeiras. Morava em Paço d’Arcos e ia de comboio até Oeiras.

Um dia, creio que foi num dia de Outono, mas não tenho a certeza, ao chegar à estação de Oeiras, descendo eu a rampa da passagem subteranea, dou de caras com um papel caido, com um desenho engraçado. Miudo, abaixo-me e apnho o papel. Nem tive tempo de o ver bem.

Um poderoso estalo surgiu do nada e um tipo cinquentão, forte que nem um touro, grita comigo: “Larga essa porcaria já!“.

Espantado, assustado, mas acima de tudo revoltado, fiz o contrário daquilo que os meus pais me ensinaram para as coisas do dia a dia, respondi ao sujeito: “Quem é o senhor? O meu pai não me bate…”

Novo valente estalo faz a minha cabeça bater na parede. As pessoas que passavam resmungam, na memória uma voz “Deixe lá o miúdo!” dito de forma contida, um tom abaixo do grito.

O “touro” virou-se para o grupo que descia da plataforma, alguém, creio que uma senhora, dá-me a mão e desce apressada a rampa. Em lágrimas cerro o punho da mão livre, o papel com o desenho guardado sem que me preceba.

Do episódio, ficou um “galo na testa” e o papel. Há tardinha, quando chegei a casa, pela primeira vez ouvi falar em “eleições“, em “ter cuidado quando se apanha esses papéis” e mais um ou outro tema que me marcaram a vida.

Depois veio o 25 de Abril, o 28 de Setembro, o 12 de Fevereiro, o 11 de Março… As pessoas comuns queriam ter o direoto de decidirem a sua vida, de escolherem, de mudarem, de ter dignidade na vida. Tinham ideias diferentes, meios diferentes de agirem, projectos que pareciam contraditórios. E havia, claro, os que queriam regressar a antes de Abril. Muitas vezes, a coisa acabava ao estalo. Outras, nem por isso…

Mas em Abril de 75, fui com os meu pais à Junta de Freguesia: pela primeira vez, com 54 e 52 anos, o meu pai, ferroviário, a minha mãe, doméstica, escolheram, votaram. Impressionou-me ver as lágrimas e o sorriso do meu pai ao sair da Junta.

Vitória, vitória, acabou a história.

Bem, não acabou. Agora, o discurso do “não votar“, do “são todos iguais” faz-me cada vez mais pensar no “touro“. Não me dá estalos, não me parte a cabeça. Mas abre campo para a justificação da supressão dos partidos, das eleições livres, da participação.

Não se revêem nos actuais partidos? Bem, é natural. Os partidos, tal como as pessoas, nascem, crescem, definham, morrem. Servem para representar interesses colectivos.  Está bem. Envolvam-se, discutam, organizem-se, partilhem ideias e propostas. Ajam.

Mas por favor, não fechem a porta à vossa própria Liberdade.

Limito-me a observar

Limito-me a observar
O vai e vem do terminar fluvial,

As gaivotas
que disputam os ares
e o peixe do rio

As conversas que não quero ouvir
os risos que me surpreendem

O olhar vazio da rapariga
que não tem idade
para ter olhar vazio

O arrastar dos pés do velho solitário
O balancear das ancas da mulher trigueira

As risadas dos marinheiros de rio,
à disputa amigável
com os ferroviários
e rodoviários

A surda inquietação
que agita tudo
nestes dias findos do Verão

As nuvens
cinzentas, tumultuosas
que se adensam nos céus
depois de muito tempo
terem andado longe

Os barcos que partem,
que passam
que chegam
que ficam

Limito-me a observar
O vai e vem do terminal fluvial,

SISMO – A gata arranhou-me, eu assutei-me e o Instituto de Meteorologia ficou gago…

Este texto foi escrito cerca das 03H15 de 17/12/2009

A gata

Já passou hora  e meia, acalmei os tremeliques.
A gata miou e arranhou-me a perna ao sentir o chão tipo Tejo com carneirinhos. O candeeiro andou às voltas. Eu senti sentado e pus-me num salto em pé e continuei a sentir.
Depois tentei perceber se era grave: o site do Publico… pfff.. mas por muito pouco tempo. A Lusa, idem… Já estão a informar e tudo. O site do Instituto de Meteorologia e Geofísica, lá deu um ar da sua graça mas foi-se abaixo como se tivesse no epicentro.Ficou gago e depois mudo…
Então com os milhões para os Magalhães não houve um pózinhos para um servidor decente para o www.meteo.pt?
Isto está mesmo a precisar de um abanão…

PS: Os sismólogos pedem os testemunhos de pessoas que vivem estas situações para avaliar intensidades. Foi o Marquês de Pombal que iniciou esta prática de recolha de dados.
Pois bem, ciente da importância cientifica de testemunhos tentei dar o meu contributo ao Instituto de Meteorologia… acabei por fazê-lo cerca das 3 da manhã. Antes respondi aos norte americanos e à UE…. Porra o Instituto de Meteorologia é em Lisboa, senhores…

PSS. O Primeiro PS (post scriptum, para que não haja duvidas) não entrou na coisa mas o corpo do texto foi enviado ao Publico.Online, como comentário por 2 (DUAS ) vezes.
Adivinhem? Pois, não foi publicado… estranho, não é?

PSSS Cerca das 18H00 fui verificar os cometários no Publico.Online… zip, niente, nada… entre muitos testemunhos , piadas colaterais e outras descabidas – enfim – alguém achou por bem censurar o texto acima publicado. Claro que vou perguntar ao Provedor do Leitor qué passa hombre. Armado em advinho antevejo a resposta No passa nada, hombre. Terá sido por ter falado do Magalhães e do gago?… Mas isso sou eu que tenho a mania da perseguição, não é?

Há 1 ano…

Há um ano,
precisamente há um ano,
o mundo parou!

Para mim, pelo menos.

Como numa noite escura sem fim,
há um ano,
precisamente há um ano,
senti-me perdido

Depois,
como tudo na vida,
excepção feita à morte,
as coisas foram-se redefinindo,
as cores ganharam de novo vida,
o silêncio ganhando contornos de conforto,
os risos reconquistando espaços.

Um ano duro mas gratificante.

A quem me parou o mundo
agradeço esta oportunidade
de voltar a conhecer-me
e a conhecer os outros.

A todos os outros,
que me ampararam,
riram-se de mim,
riram comigo,
abanaram-me,
estiveram cá,
também a eles agradeço

Penso que aprendi
Vocês dirão