Temos pena, Policarpo, temos pena

“Está a fazer-me muita confusão ver neste anúncio das medidas difíceis que até nos foram impostas por quem nos emprestou dinheiro que os grupos estejam a fazer reivindicações grupais, de classe. Não gosto” , desabafou o prelado, perante 800 pessoas. O Cardeal–patriarca não concretizou as críticas, mas ter-se-á referido a sindicatos e outras organizações que respondem com ameaças de greve contra as medidas de austeridade impostas pela troika e concretizadas pelo Governo. Para D. José Policarpo, Portugal tem de ultrapassar este momento “em diálogo com os outros países, mas, sobretudo, dando as mãos procurando o bem de Portugal e não o bem de cada grupo, de cada pessoa”. “Todos somos chamados a vencer o egoísmo, a pensar no nós e não no eu”, reforçou o prelado.

CM, 21 de Agosto

Tenho realmente pena, Policarpo, que tenhas elevado a voz contra os fracos e oprimidos, que continues silencioso face aos poderosos e opressores.

A tua responsabilidade e poder na nossa sociedade, esperava eu, seria forma, teria forma de denúncia dos mecanismos de opressão por detrás dos “empréstimos de dinheiro”, dos grupos que enriquecem com a miséria alheia, das medidas que descarregam nos trabalhadores, nos jovens nos idosos a raiva incontida do lucro cego e opressor.

Falas do “bem de Portugal” preparando as tuas hostes para a “guerra santa” contra a inevitável revolta social, – e aqui acertas, Policarpo – e de classe.

E como desde Constantino a tua organização age, optas por estar do lado errado da vida.

Será que iremos assistir ao ressurgimento da “acção católica” dos anos 30?

Parece que o “puxão de orelhas” que te deram no Vaticano por defenderes o sacerdócio de mulheres  já está a surtir efeito.

Não gostas das reivindicações dos trabalhadores? Temos pena…

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Voz do povo, voz de ‘deus’?

Acabou de ser eleito pelo Conclave cardinalício como novo Papa, o chefe do Santo Oficio, Joseph Ratzinger.

Dizem eles que é o “Espírito Santo” que os guia a votar o “sucessor” de Pedro.

Se a “Voz do Povo é a voz de deus“, como dizem as gentes no seu saber, a coisa não começa bem para o homem da Inquisição: numa sondagem que a Newsweek está a fazer 40% acham que a escolha foi errada e 35% ainda dizem que é cedo para saber.

Dizem que “deus escreve direito por linhas tortas“, mas tanta hesitação não me parece divina…

Estranho, estranho é o quasi silêncio sobre o antecessor do antecessor, o João Paulo I que morreu “subitamente” depois de rebentar o escândalo do Banco Ambrosiano, ter de deter mo Vaticano o Monsenhor Markinus – um amigo próximo de Ratzinger – para não ser preso por fraude na Itália, e de ter aparecido enforcado o banqueiro Calvo, envolvido com a loja mafio-maçónica P2.

Enfim, eles lá vão cantando e rindo…

Opções que marcam

O senhor de branco é o “Santo Padre” João Paulo II

Aqui, ao lado dele
o assassínio de Salvador Allende

e de tantos milhares.


Ali, pouco depois, repreendeu o Padre Ernesto Cardenal, Ministro da Cultura do Governo Sandinista da Nicarágua e outros padres e religiosos que optaram por servir os explorados e oprimidos.

Um “santo” homem, na verdade. Para quem?

Libertação incómoda

Miseravelmente as tropas invasoras no Iraque atacaram uma refém libertada.
A culpa vai ser do Joe D. ou da Anne M., recrutados para mercenários como forma de fugir à pobreza, exclusão, preconceitos raciais, desemprego.

Agora que a a italiana vai ser difícil de calar, vai.

Ela já estava no Iraque contado o que o império não quer que se conte.

Que a resistência não são só fanáticos fundamentalistas.
Que a resistência vai muito além da Al-Quade, criada pela CIA.

Foi feita refém, assustou-se, chorou.

Acabou por ser libertada e avisada pelos raptores: os americanos não lhe vão perdoar.
Tentaram castigá-la.

Falharam.

Continuam a massacrar um povo e mostram as garras a outros povos.
Faz agora, por estes dias, o começo da ocupação.

Sócrates não necessita de mandar retirar a GNR.
Mas não pode continuar a colaborar com os massacres.
As bases das Lages e outras devem ser interditas às forças invasora.

Hoje! Já!

Ouviu Senhor Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros?