Que viva a Comuna 

Há poucos dias passou o 146º aniversário da tomada do poder pelos proletários de Paris, face à miséria de vida e à traição das classes dirigentes.
Face à miséria geral e à guerra franco-prussiana, face às manobras de traição das instituições estatais, os proletários “assaltaram o céu.”

Esta ilustração, que celebra a Comuna, liga a um excelente artigo de Niall Mulholland, do Secretariado Internacional do Comité Por uma Internacional dos Trabalhadores, publicado pelo Socialismo Revolucionário.

Que viva a Comuna!

 

Mudar de Rumo

A revista “Forbes” relata, à sua escala, o terramoto social que arrasa o mundo:

Os possuidores de fortunas acima de mil milhões de dólares – bilionários – passaram de 1.125 em 2008 para793. A riqueza conjunta dos bilionários viu-se reduzida em 1,4 milhões de milhões de dólares!

Ainda assim detêm mais riqueza que metade da Humanidade.

Setecentas mil pessoas são despedidas por mês nos Estados Unidos da América. Centenas de milhares perderam, no ano passado, o emprego, o carro e a casa. Por todos os Estados Unidos vêem-se aparecer cidades de tendas de campismo onde os novos pobres acampam.

Por cá, à nossa escala, só nos dois primeiros meses do fatídico ano que vivemos, 70.000 pessoas inscreveram-se nos Centros de Emprego. Não contam os precários, os “recibos verdes” e todos que a ganância da classe que manda pressionou o seu governo a retirar o “benefício” do sunsidio de desemprego.

mudar-de-rumoAmérico Amorim, um dos bilionários da “Forbes”, despediu quase 200 trabalhadores por “prever uma quebra de lucros este ano”!!!

Centenas dos processos de despedimentos são manifestamente ilegais. O Estado, a Justiça e as Polícias assistem impávidas e serenas. Fossem os trabalhadores a ocuparem as fábricas e outro rigor existiria.

Por tudo isto, por muito mais, amanhã saem à rua os que pagam a crise que não provocaram.

É preciso Mudar de Rumo. E só esses, ainda que não saibam, têm a solução.

Lá estarei! Venham connosco!

Memória do 11 de Março

11marco-3Estava no pátio da Escola Comercial Ferreira Borges.

Vimos um avião de caça picar sobre o Palácio de Belém. Não disparou. Outro foi matar o soldado Luís na parada do RALIS, do outro lado da cidade.

A rádio da escola avisou que estava a haver um golpe militar.

Fechamos a escola. Reunimos uma RGA. À nossa escala defendemos a democracia.

Pouco tempo depois começamos a ouvir falar da “ameaça comunista”.

O PS, lado a lado com os bombistas do ELP/MDLP preparava a guerra civil e pedia a intervenção da NATO.

Em Novembro o General das patilhas repunha a “ordem”.

Os Motas Freitas, os Cónegos Melos, os Corrécios continuavam a destruir à bomba as sedes dos partidos de esquerda, a incendiar – a Faculdade de Ciências em Lisboa pelos “Comandos Operacionais de Defesa da Civilização Ocidental” (CODECO), sedes do PCP, da UDP, do MDP-CDE, da OCMLP, – a matar – Abril de 1976 Padre Max e Maria de Lurdes, Embaixada de Cuba, 1º Maio frente ao Hotel Vitória…

Depois, pouco a pouco calaram-se. Nem um foi condenado, alguns até condecorados.

O PS começava a desmantelar tudo o que beliscara o Capitalismo. No caminho deixara cair o marxismo.

Tentou passar a ser Partido Social Democrata. o Sá Carneiro cortou-lhes as voltas.

Soares avança contra a Reforma Agrária para florescerem as terras ao abandono, as coutadas de caça e o desemprego e imigração no Alentejo. Impôs os contratos a prazo. Atacou os Sindicatos. Que rico “socialismo”.

Passados anos, vi o golpista ser promovido a Marechal.

Vi os bombista do ELP/MDLP a serem piedosamente esquecidos.

Agora, pode bem Mário Soares arvorar-se em “Pai da Democracia”.

Porque a Democracia dele nunca será a minha e de tantos que sonharam, sonham e continuam a bater-se por uma terra sem amos, uma genuína democracia não da ditadura do lucro, mas dos produtores.

Bosque(s) dos Ausentes, Florestas do Presentes

Quem manda, mandou plantar 122 ciprestes e oliveiras numa colina artificial em plena Madrid, O Bosque dos Ausentes.
Quem manda chorou hoje, ritualmente, as 122 vítimas do inqualificável atentado que há exactamente um ano abalou Atocha, Madrid, o Estado Espanhol e o Mundo.
Quem manda esteve reunido para discutir pela enésima vez o problema do terrorismo, o frágil equilíbrio entre segurança e liberdade, as mil e uma maneiras de manter as raízes do terror e não deixar que as folhas despontem.

Depois há os outros:

Os que olham, horror nos olhos, o vazio que as bombas ali deixaram, como deixaram as bombas “libertadoras” sobre o Iraque desde há 11 anos, (tenatos Bosques de Ausentes) como o deixaram as bombas “restauradoras da paz” nos Blacãs, (outros Bosques de Ausentes), os 100.000 mortos civis iraquianos, encurralados entre o ocupante grosseiro, brutal e arrogante e o fanatismo promovido a terror sem cara porque necessário é o medo.

Depois há ainda os outros: Os que tendo perdido encontram a razão e a força a dizer não ao sangue gratuito, como a família McKenzie na Irlanda do Norte, os operários de várias cidades industriais do Iraque que lado a lado, xiitas, sunitas, curdos e turcos, se juntaram contra o ocupante e contra o fundamentalismo, os jovens universitários da Universidade de Jerusalém que recusam a lógica do apartheid e promoveram uma lista de judeus e palestinianos à direcção da Associação de Estudante, rapidamente reprimida e banida pelos Serviços de Segurança da Universidade.

Estes plantam algo que, querendo nós, terá raízes mais profundas que o medo e o terror, porque agarrado ao chão onde se vive e produz, baterá o medo que provêm do mundo virtual da especulação e do lucro.

A Floresta dos Presentes não esquecerá os Bosques dos Ausentes. Mas para que haja memória e não ficção, os que mandam terão de sair de cena, os despojados da sorte terão de conquistar os céus.

Os que…
são tantos que não ganham com o terrorismo mas sabem que quem manda ganha muito com ele.
Tantos…

Dia Internacional da Mulher

“Uma operária tecedeira de meia idade da fábrica Maxwell levantou-se para falar. Tinha uma bela cara, aberta; vestia um vestido de algodão desbotado apesar de se estar no fim do Outono. A sua mão termia nervosa, um dedo brincando com o colar. A sua voz soava com uma qualidade inspirada, inesquecivel.
“Vocês habituaram as vossas mulheres a dormirem em camas macias, a comerem comidas doces” atirou aos delegados da fábrica Putilov [que estavam a propor que aceitassem pelo menos uma retirada temporária]. “É por isso que têm medo de perder os vossos empregos. Mas nós não temos medo. Nós estamos preparadas para morrer, mas nós conquistaremos as oito horas diárias! Lutaremos até ao fim. Vitória ou morte! Viva o dia de oito horas de trabalho!”

Extracto do livro “1905” de L.Trotsky
relatando uma sessão do Soviete de Petrogrado a 12 de Novembro de 1905

Hoje esgotaram-se as flores e prendas
as palavras de apreço e valor
e foram torrentes as hipócritas declarações
dos que são forçados a esconder
que prefeririam as mulheres em casa
para aumentar ainda mais uns cêntimos
os lucros dos que tudo têm.

Hoje falou-se de igualdade
Mas há umas mais iguais que outros
quando as mulheres são mais pobres, mais vítimas, mais excluídas

Hoje esconderam cuidadosamente os cadáveres das mártires de Nova York, nos EUA
que há 140 anos foram imoladas pelo fogo assassino
de um “empreendedor” capitalista
porque se atreveram a lutar pelas 8 horas.

Pudera,
se agora nos convenceram que a noite apenas começa às 22 horas
que o trabalho é um acto de caridade,
que temos de trabalhar até cair mortos,
e às mulheres,
ou proíbem que engravidem,
ou castigam se abortam,
querem-nas mães carinhosas,
esposas extremosas
e campeãs da produtividade.

Que não se queixem se trabalham 12 horas,
passam mais 2 horas em comboios sobrelotados
e chegam a casa para limpar o pó,
fazer as camas,
cozer as batatas,
deitar os putos
e serem cama
dos que se deixam embrutecer,
numa lógica de domínio mesquinho,
porque na casa mandam eles.

Foi há 100 anos que a mulher de meia idade gritou.
Ou foi ontem?
Ou será amanhã?