Procuro

procuro um abraço
um braço
uma mão

tenho para dar um abraço
um braço
uma mão

procuro olhos límpidos
voz cálida e doce
sorriso luminoso que vem da infância

tenho para dar olhos inquietos postos no futuro
voz que mesmo dorida não se cala
sorriso tantas vezes malandro mas que procura ser sincero

procuro concha de sossego
porto de abrigo e de aventura
num mar virado à vida

procuro para dar
ou apenas quem queira receber

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Esta noite…

Esta noite
Quero dormir, dormir profundamente, sem sonhos, bons ou maus,
apenas dormir

Está noite, lá fora
e no meu peito,
e quero dormir até ao raiar da aurora.

Esta noite fugi dos amigos
para esconder a outra noite que me invade

Foi bom estar com eles,
mesmo bom,
mas fugi para dormir sem sonhos

Às vezes necessito de uma escuridão e esquecimento, dentro de mim, por fora dos outros.

Mas com o raiar do dia, os amigos e os amados, ganharei forças para continuar.

Esta noite,
esta noite apenas quero dormir.

13 de Julho de 2015, ao redor das 3 da manhã

Por falar em som…

Por falar em som, a coisa foi fácil apesar de tudo…

Cá por dentro termia, tipo menino que tem medo do escuro, num quatro fechado…

Não estava só nos tremeliques…

Mas quando as luzes abriram e no palco 5 inesquecíveis garotas falaram de si e dos outros , respiraram vida e partilharam medos… até que acertei o som com as palavras, os gestos e as luzes que animaram o Auditório do Pinhal novo na estreia da “Adolescentes,  a nova produção do ATA.

Leila, Filipa, Cátia, Rafa e Olena
Leila, Filipa, Cátia, Rafa e Olena

Pelo que ouvi, o público adorou…

A elas o meu obrigado por serem como são. E aos Óscar, ao Rui Guerreiro e ao Rui por terem sido cúmplices nesta aventura.

Dia de S. Valentim

A verdade é que só o engenho do comércio fez popular este dia. Mas está para ficar.

A Clarinha, que já anda na “nova escolinha”, avisou-me na Sexta-Feira: beijinhos só ao Rafael, o namoradinho… Pois!

Claro que depois esqueceu e celebrou o “abraçinho de conjunto”, ela, o pai e a mãe, várias vezes, a última hoje logo de manhã, antes da mãe sair para o comboio.

Antes de apanhar o comboio, no café, as conversas andavam todas à volta da nova celebração: uma auxiliar educativa de uma das Escolas Básicas da terra comentava que estava armada em carteira, tantos eram os cartões que se cruzam este dia.

A dona do café desafiava: “Então vizinho, não dá um beijinho à sua mulher? Hoje é dia dos Namorados…”.

O sujeito, visivelmente encabulado, lá deu uma beijoca na face da esposa.

Outro cliente, o mesmo desafio, mas a resposta áspera que esconde o mesmo embaraço: “Há 30 anos que a aturo!”. A resposta veio rápida: “30 anos? Olha que são mais…”

Ontem foi dia de ver homens de todas as idades com flores, cartões e prendas nas mãos.
Cá por mim vou tentando namorar cada dia como se fora São Valentim.