No chão que me inscrevo

(projecto de auto-retrato)

Sou baixo,
peso demais,
não muito,
mas com uma barriginha visível.

Gosto de cantar,
no chuveiro e fora dele

Sou amigo de amigo
e de muito que não sabe que sou amigo
Faltam-me dentes (…
imensos)

Gosto de rir
Vejo mal ou menos bem

Mas vejo cousas que nem todos vêem…
porque não querem,
ou não sabem olhar
a injustiça
e a obscena pobreza
que grassa num mundo
tão rico

Vivi muito
Passei mal
Cai
Levantei
– com a ajuda de amigos

Cá vou andando,
com a cabeça entre as orelhas,
remando contra a maré,
navegando à bolina
em busca do porto de abrigo
de onde eu possa recomeçar,
ou simplesmente descansar

Não desisto de ser livre
na extensão da liberdade
de todos os que não sabem que o não são

Sou assim

Complicado e simples

É neste chão de vida,
turbulenta e fascinante
que me inscrevo…

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Que viva a Comuna 

Há poucos dias passou o 146º aniversário da tomada do poder pelos proletários de Paris, face à miséria de vida e à traição das classes dirigentes.
Face à miséria geral e à guerra franco-prussiana, face às manobras de traição das instituições estatais, os proletários “assaltaram o céu.”

Esta ilustração, que celebra a Comuna, liga a um excelente artigo de Niall Mulholland, do Secretariado Internacional do Comité Por uma Internacional dos Trabalhadores, publicado pelo Socialismo Revolucionário.

Que viva a Comuna!

 

Farto de ser sardinha em lata…?

Um texto a ler

O direito à mobilidade e o estado dos transportes

foto-lusa-miguel-a-lopes“Os transportes públicos atravessam um processo de degradação que se acentuou nas duas últimas legislaturas. No entanto, é insuficiente atribuir a culpa apenas a este governo e ao anterior, tendo em conta que o processo de degradação dos serviços começou com a privatização da Rodoviária Nacional em 1992. As causas deste problema são mais profundas do que os governos, encontram-se no próprio funcionamento do capitalismo.(…).

Nos últimos anos, os trabalhadores dos transportes públicos, em conjunto com algumas comissões de utentes, como a Comissão de Utentes do Transportes de Lisboa, têm lutado contra a sua precarização e em defesa do serviço público de transporte. No entanto, as lideranças sindicais têm-no feito de forma isolada, sem ligar as suas lutas com a restante classe trabalhadora. O passo positivo de se fazer greves conjuntas entre sectores dos transportes, que já foi dado, deve ser seguido de outros passos. Sem uma estratégia séria de ligação à população trabalhadora que usa os transportes públicos, abre-se o espaço à propaganda reacionária do governo que coloca utentes contra trabalhadores. Aquilo que é uma luta e uma necessidade de toda a classe trabalhadora não pode ser relegado a um pequeno grupo de dirigentes sindicais que não fomentam uma luta de massas.

Apenas mobilizações unificadas e inseridas num plano de luta podem conquistar as suas reivindicações. Esta luta deve ser feita em ligação constante com os utentes, na sua esmagadora maioria trabalhadores, e ganhá-los para a luta pelo direito à mobilidade. Há a necessidade imediata de conquistar passes gratuitos, melhores infraestruturas, mais carreiras, mais condições para pessoas com mobilidade reduzida e o alargamento dos serviços na periferia das cidades e no interior do país. Mas o objectivo deve ser claro: conquistar o controlo público e democrático dos transportes, que só é possível com uma muito maior organização dos trabalhadores de transportes públicos e dos utentes.”

Fonte: O direito à mobilidade e o estado dos transportes