Coitado, não sabia…. e as ruas tão vazias

A minha amiga Isabel Faria publicou no FB um post, com base numa noticia do DN segundo a qual Passos Coelho não tinha consciência de dever pagar impostos que lhe roubo descaradamente:

Num País decente Passos Coelho já estava demitido. No caso de ser um País com Presidente da República, este já o teria demitido.
No caso ainda mais impossivel de Passos Coelho ter um pingo dae vergonha na cara, tinha sido ele a apresentar a demissão. Que o tal PR, se existisse, aceitaria de imediato.
È que não se trata só de não ter pago (como se o só fosse pouco, a quantos de nós o só, já implicou penhoras de salários, de habitação, ameaças, a quantos conhecidos levou ao suicidio…), trata-se também do emaranhado de mentiras, de desculpas esfarrapadas, de não se importar de se assumir ignorante para nos tentar mandar areia para os olhos, de tentativas de responsabilização de terceiros…
Num País decente a esta hora estavamos na rua a exigir que se demitisse.

terreiro do Paço

Digo mais:

Não são apenas o Primeiro Ministro e o Presidente da República que lhes falta consciência.

E se as ruas continuam vazias, pense embora o continuo massacre social e os sucessivos escândalos, parte da responsabilidade está também na esquerda institucional e anti-troika, que, contrariamente a qualquer sindicalista sério, ou aos jovens africanos e afroportgueses, entendem que, para haver Liberdade e Direitos há que romper com as instituições, por a nu a sua verdadeira face, apelar aberta e claramente à ruptura com as leis e organismos que asseguram a impunidade da classe dominante e certificam-se que “todo o peso” da lei” é exercido sobre os proletários e pobres.

Não defendo que os parlamentares da esquerda anti-troika abandonem o Parlamento.

Mas às vezes tenho a sensação de que, em vez de “dentro das inscrições” apresentarem propostas, importantes sem dúvida, mas com relativa pouca expressão fora do Parlamento e condenadas ao fracasso devido à correlação de forças, seriam bem mais úteis nas ruas e lutas, ajudando a fortalecer a confiança dos que resistem e lutam.

Em acordo, no Parlamento, nas questões centrais, nas ruas agem como adversários, quando o que precisamos é de, respeitando as naturais diferenças, acção comum e unificadora que disputa o poder, contra o Capital e a sua austeridade.

Assim fosse e talvez hoje às ruas estivessem cheias.

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