Do que sonho quando estou acordado

Resposta ao desafio lançado pela Casa da Achada – Centro Mário Dionísio no seu 5º Aniversário

I

Quando
em momentos de desânimo,
sonho acordado
com o mundo
vem-me à memória
a saudade do futuro dos nossos pais

Um mundo de simplicidade:
a paz,
a carne no talho,
o pão para toda a gente
uma casa para morar,
uma vida sem doença,
um labor útil a todos
a liberdade de aprender
o fruir livre da arte e da sua criação

Um mundo onde a ciência e a técnica
estão em todo e cada um dos humanos

Um mundo em que,
como vivemos,
o que fazemos
se articula
em harmonia
com o Ambiente

Um mundo de
Oito horas de trabalho,
Oito horas de descanso…
Oito horas de lazer.
– talvez menos horas de trabalho!

Porque não?
Se hoje sabemos tanto mais, se hoje podemos tanto mais

Simples, não é?

II

Reinvento pois,
acordado,
o sonho dos meus avós
para que os vindouros
possam viver
um mundo pleno de liberdade

Dizem-me:
que ultrapassadas estão as tuas ideias

Mas sonho acordado
com as ideias a desgarrarem-se do seu invólucro
e tomarem forma
na acção dos meus iguais

Quando
acordado
sonho o mundo
projecto nos outros
uma Terra da Fraternidade

Sonho acordado
um mundo em
que os saberes se partilham
e a invenção da arte
rasgou os diques dos saberes reservados
e invade,
livremente,
as esferas libertadas da acção humana

Tenho,
Imperiosamente,
de sonhar acordado
outro mundo
porque

Há tanta gente voltada para trás
Gente que vive do menos mal, e do tanto faz
Mas o amor de que estou a falar
Anda remando contra a maré… a desinquietar….

à memória do Maçariku

Por falar em som…

Por falar em som, a coisa foi fácil apesar de tudo…

Cá por dentro termia, tipo menino que tem medo do escuro, num quatro fechado…

Não estava só nos tremeliques…

Mas quando as luzes abriram e no palco 5 inesquecíveis garotas falaram de si e dos outros , respiraram vida e partilharam medos… até que acertei o som com as palavras, os gestos e as luzes que animaram o Auditório do Pinhal novo na estreia da “Adolescentes,  a nova produção do ATA.

Leila, Filipa, Cátia, Rafa e Olena
Leila, Filipa, Cátia, Rafa e Olena

Pelo que ouvi, o público adorou…

A elas o meu obrigado por serem como são. E aos Óscar, ao Rui Guerreiro e ao Rui por terem sido cúmplices nesta aventura.

Redescoberta

Regressei recentemente a uma actividade que me encheu e preencheu a vida há (muitos) anos atrás: o teatro.

Com algumas hesitações  de permeio, eis que tamborilo um timbalão na “Conquista de Lisboa aos Mouros” levada à cena pelo Acção Teatral ARTIMANHA.


Há quem diga que teatro é um pouco mais , muito menos, longe e perto, riso e lágrima, desenrascanço, técnica, amuos, paixões… frases feitas, gestos por fazer, luz, som…

Cá por mim estou a redescobrir e a gostar de cada momento

Dia de S. Valentim

A verdade é que só o engenho do comércio fez popular este dia. Mas está para ficar.

A Clarinha, que já anda na “nova escolinha”, avisou-me na Sexta-Feira: beijinhos só ao Rafael, o namoradinho… Pois!

Claro que depois esqueceu e celebrou o “abraçinho de conjunto”, ela, o pai e a mãe, várias vezes, a última hoje logo de manhã, antes da mãe sair para o comboio.

Antes de apanhar o comboio, no café, as conversas andavam todas à volta da nova celebração: uma auxiliar educativa de uma das Escolas Básicas da terra comentava que estava armada em carteira, tantos eram os cartões que se cruzam este dia.

A dona do café desafiava: “Então vizinho, não dá um beijinho à sua mulher? Hoje é dia dos Namorados…”.

O sujeito, visivelmente encabulado, lá deu uma beijoca na face da esposa.

Outro cliente, o mesmo desafio, mas a resposta áspera que esconde o mesmo embaraço: “Há 30 anos que a aturo!”. A resposta veio rápida: “30 anos? Olha que são mais…”

Ontem foi dia de ver homens de todas as idades com flores, cartões e prendas nas mãos.
Cá por mim vou tentando namorar cada dia como se fora São Valentim.