São as botas,
o clangor da corrida,
os bastões,
os cães,
os gritos,
o troar das pancadas,
que me invadem os olhos
sempre que os fecho.

Soldados de chumbo
dum Sistema desumano
executam com minúcia
as ordens superiores:
Batam! Espanquem! Façam-nos sentir medo!

Os olhos espantados e doridos
da senhora ensanguentada
o ricto de dor do jovem, cabeça rachada
o punho cerrado contra a perna batida
do homem…

tudo tem dor, tem medo

Mas, quase no mesmo momento
sei que não será o medo que
os fará parar
que por muito que os queiram vergar
sabem que o medo vence-se
braço com braço,
mão com mão,
passo com passo,
em conjunto, inexoravelmente,
desenhado nas mentes e vontades,
cidades futuras, sem fronteiras.

Então
tal como a água que ferve,
a nossa revolta
tomará forma
de um dia mais fraterno
igual e livre
sem botas
bastões
ou cães assassinos.

Sem medo e com razão, continuaremos!

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