Em cada dia que passa desenrola-se perante os nossos olhos, perante a nossa vida, uma brutal guerra contra os trabalhadores e suas famílias – no activo, reformados e desempregados, precários ou com contrato, do sector privado e do sector público, portugueses e imigrantes.

Esta é guerra que assume hoje crua e abertamente um carácter de saqueamento da riqueza produzida para o lucro privado dos bancos, especuladores, grande capital nacional e internacional e seus representantes políticos.

Esta é guerra que a classe dominante procura escamotear falando em “designo nacional” , “inevitabilidade”, “todos somos chamados”, arregimentando jornalistas, comentadores e responsáveis religiosos na grande tarefa de impor sacrifícios sem fim à maioria para que uma ada vez mais restrita minoria lucre com a miséria, o desemprego e a fome que circula nas nossas praças, nas nossas cidades, em Portugal, na Europa e no Mundo.

Esta é uma guerra que, da nossa parte, nos apanha com a sensação de não termos armas. Porque nos convenceram – por actos e omissões, por falta do exercício da mais eficaz das democracias, por propostas de gestão do sistema, por integração permanente nos mecanismos de domínio – que cada um por si é que vale, que organizar-nos é perder a liberdade, que termos ideias fortes é termos “preconceitos” que o caminho passa por reinventar a roda.

Mas temos armas e temos de as usar rapidamente: as armas das ideias, da combatividade, da acção colectiva.

A classe dominante e os seus porta-vozes – na comunicação social, na Universidade, por todo o lado tentam resumir a crise à crise da divida externa – construindo um colete de forças moral sobre a honra de pagar a dívida.

Que digam ou perguntem os trabalhadores da Mundet – cujos devedores – patrões – estiveram 20 anos para lhes pagar salários em atraso e indemnizações de poucos euros! Que o digam tantos e tantos milhares de trabalhadores que tiveram e têm salários em atraso! Que o digam os estudantes que aguardam meses e meses por bolsas escolares de miséria. Que o digam os milhares de trabalhadores cujos patrões, recebendo chorudos subsídios estatais – de todos nós – para criar emprego, encerram empresas e deslocalizam-nas deixando famílias e vilas e cidades inteiras à beira da miséria.

Que moral têm os bancos que sugam o sangue dos trabalhadores em hipotecas para habitação e começam a preparar o despejo de milhares de famílias que, atiradas para o desemprego, não podem pagar as dividas.

Que moral tem o actual Presidente da Republica para falar em esforços pela produção nacional se foi o ponta de lança do desmantelamento do tecido produtivo, industrial, agrícola, das pescas?

Que moral tem este governo, composto por ricos e poderosos, para impor sacrifícios em “nome de todos” aos que dependem do salários, da reforma sempre e mais a estes, excluindo os lucros da especulação bolsista, protegendo os off-shores?

Quer queira ou não o Patriarca Católico, vivemos claramente uma guerra de classes e como classe, os trabalhadores têm de resistir e dizer Não!

Temos de recolher a experiência colectiva da nossa história, mas também da resistência que na Grécia, na Irlanda e noutros países o trabalhadores e suas famílias estão a desenvolver

Este é um sistema insano, cruel e completamente cego ao bem colectivo.

Necessitamos de recompor um projecto social que reponha como centro as necessidades de milhões, não os lucros dos milionários! Uma verdadeira democracia que torne públicos os meios de produção, que democraticamente planeie e faça a gestão dos recursos e da produção para dar resposta às necessidades da sociedade. É disto que precisamos.

Eles semeiam miséria, vão recolher Revolta!

Não queremos, não podemos pagar a vossa divida!

Em Resistência e Solidariedade, não pagaremos a vossa crise!

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