A comunicação social tem vindo a dar, dissimuladamente, uma imagem de “luta de gangs”, “holigans” e conflitos “inter-étnicos” como o motor e causa dos motins que se espalharam de Tottenham para o resto de Londres e da capital britânica para outras cidades.

A verdade é que uma análise num mínimo profunda e honesta encontra facilmente as raízes profundas quer dos motins quer dos próprios gangs.

Mas essa análise é demasiadamente denunciadora de um sistema social que tem vindo a atirar mais e cada vez mais pessoas para a pobreza absoluta, a exclusão social e o desespero. Ela expõe o carácter consistentemente racista dos métodos da Policia Metropolitana e a constante intimidação que tem vindo a exercer sobre os jovens e os bairros pobres.

Assim sendo, a generalidade dos comentadores, não podendo evitar o óbvio da pobreza e desemprego, omite as razões e atira a jogada do “crime” e das lutas “raciais” para reforçar o espírito da “Lei e Ordem”.

Esta explosão de revolta – desencadeadaaa pelo assassinato pela policia de Mark Duggan, de 29 anos, morador em Totteham e a absoluta falta de respeito dos oficiais da Policia para com famíliaia amigos que esperaram, em vão, horas a fio, de forma pacifica, por explicações sobre a morte de Mark e o espancamento, durante esta acção, de uma rapariga de 16 anos pela Policia – mostra a revolta e desespero que cresce potencialmente em Londres, mas também em Paris, em Madrid ou Lisboa.

As consistentes políticas de austeridade para milhões para enriquecer os milionários empurram as gerações juvenis para becos sem saída, roubam-lhes a perspectiva de um futuro decente, destroem serviços públicos, geram ainda mais desemprego e miséria numa circulo infernal de austeridade sem fim.

Como declara Hannah Shell, Secretária Geral Adjunta do Socialist Party de Inglaterra e Pais de Gales “Os reais saqueadores estão os financeiros que fazem milhares de milhões nas bolsas de valores mundiais e saqueiam a economia de países inteiros, levando populações inteiras – como na Grécia – até à mais miserável pobreza.

Não é de admirar que, numa sociedade que encoraja os investidores privados a obter lucro por todos os meios possíveis, os jovens desempregados decidam tentar obter uns poucos bens por qualquer forma possível”

Contudo, cremos que os saques e incêndios de grandes lojas não irão resolver os problemas fundamentais com que os jovens, em Totteham como no Pica Pau Amarelo, se defrontam no seu dia a a dia.

Os saques e incêndios, estão naturalmente a atemorizar a população, e o aparelho de estado apressa-se em reforçar os mecanismos repressivos contra os “saqueadores” em nome da “Lei e Ordem”. Com essas medidas reforça-se o carácter de intimidação e “criminalização” dos jovens das famílias trabalhadoras e começa a divisão de um movimento de revolta da juventude de todas as origens.

Apenas uma movimento amplo e democrático dos jovens, em ligação com o movimento sindical, contra os cortes sociais, pelo emprego, habitação e serviços sociais decentes, que combata um sistema que protege o lucro privado dos milionários através do empobrecimento de milhões poderá por cobro as causas reais dos incidentes na Grã-Bretanha, ao potencial explosivo que se acumula por toda a a Europa, e, obviamente, em Portugal.

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