Limito-me a observar
O vai e vem do terminar fluvial,

As gaivotas
que disputam os ares
e o peixe do rio

As conversas que não quero ouvir
os risos que me surpreendem

O olhar vazio da rapariga
que não tem idade
para ter olhar vazio

O arrastar dos pés do velho solitário
O balancear das ancas da mulher trigueira

As risadas dos marinheiros de rio,
à disputa amigável
com os ferroviários
e rodoviários

A surda inquietação
que agita tudo
nestes dias findos do Verão

As nuvens
cinzentas, tumultuosas
que se adensam nos céus
depois de muito tempo
terem andado longe

Os barcos que partem,
que passam
que chegam
que ficam

Limito-me a observar
O vai e vem do terminal fluvial,

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