A minha Isabel, no seu Estações e caminhos, publica sob o titulo a sua análise à candidatura do PCP em A vitória dos umbigos.

Eis uma resposta fraterna, com umas ideias sobre as Presidenciais:

Isabel

Desta vez, acho que bates ao lada da questão. A verdade é que o PCP fez o que compete a um partido político. Face aos candidato existentes, e não podendo, na sua análise apoiar as individualidades em causa, apresenta um seu candidato para dar o seu contributo e expor à sociedade os seus pontos de vista sobre o papel do Presidente da Republica e a Cosntituição de que é garante. Quanto à personalidade escolhia acho que será um “tiro no pé”, mas enfim…

Já a direcção do BE, que sonhava tornar o Alegre no Oskar LaFontaine (De Link – Alemanha) português teve azar no seu “impressionismo”. Bastava uma leitura politica dos actos concretos e não da superficie das delarações, para ver que Alegre foi e é tudo menos isso.

Ao apoiá-lo ntes de tempo, julgava o BE galvanizar um movimento de ruptura que somasse à dinâmica da primeira candidatura de Alegre o descontentamento social com Sócrates

Azar. Quem foi que disse que a história quando se repete é em paródia? A direcção do PS, “macaca”, pode conviver com o seu “enfant terrible” muito bem. Nas alturas que interessam sabem que cala-se, ou vai à caça. E toca de formalmente apoia o senhor. Já estou a ver, nos comícios centrais da campanha, o Secretário Geral do PS e o Coordenador do BE, lado a lado, sorridentes, “Alegre!, Alegre!

Há depois o nosso Maquivel (ainda) de serviço, o Soares, que tira da cartola um destinto activista humanitário, a chamar ao coração dos “brandos costumes” e da “industria da solidariedade social” que é um produto que cada vez se vende melhor. Recordo que a AMI, como tantas outras organizações que desenvolvem actos humanitários meritórios inquestionáveis, só tem razão de existir porque o Capitalismo produz pobreza, fome, doença e destruição ambiental, como sub-productos, ou “danos colacterai” da obscena acomulação de riqueza privada.

Com tudo isto, continua faltar um candidato que diga, claramente,que “o Rei vai nu” e que somos “republicanos”, o que transposto para 100 após a implantação da República seria: o Capitalismo está podre, somos Socialistas.

Publica e oficialmente, quer o BE, quer o PC, defendem a superação do capitalismo – estive tentação a colocar entre superação e do capitalismo a palavra revolucionária, mas confesso que desconheço se já se fizeram “revisões constitucionais domésticas” para os lados da Soeiro e da Rua da Palma.

Mas, para todos o efeitos práticos, – nas posturas, na acção concreta, nas propostas – o BE e o PC propõem reformas nos limites concretos do Capitalismo apostam e empenham-se em demonstrar que são “realistas” , “razoáveis“, moderados, facilmente aceitáveis como gestores da coisa para os “donos das coisas“.

É por isso que uns mobilizam-se contra “ESTE capitalismo selvagem e desregulado” os outros na defesa “da produção e da economia NACIONAL“, os últimos omitindo que a produção capitalista necessita de acentuar a exploração da classe operária e restantes trabalhadores, os primeiros zelosos na construção de novas elites sociais-democratas.

O PCP cimentasse na sua visão da história,falha numa análise das razões da queda da URSS e da génese da degeneração da Revolução de Outubro e do regime totalitário que destruiu os Bolchevique e o poder soviético (conselhos, para que não sabem ou já esqueceu), ficando assim amarrado a não recuperar a defesa da economia planificada, gerida e controlada pelos trabalhadores e da Democracia Socialista, a viver numa “mistica abrilista”, perdendo a prespectiva de Outubro, eternamente assustada em perder a “vanguarda” mas sustendo-a e travando-a permanentemente.

O BE, com a base do “Começar de Novo” primeiro tentou reinventar a roda, para rapidamente transformar o potencial de mudança que continha em força eleitoral que se quer medianamente disposta em colar cartazes nas eleições, alinhar em debates mas ou menos académicos, mas que é “educada e culta”, recusa os “extremismos”, não é carne nem é peixe.. e ás vezes parece mais isco.

Entre uns e outros dificilmente poderia surgir um candidato que pudesse aproveitar o tempo eleitoral para furar a censura mediática à Esquerda e defendesse um programa anti-capitalista e socialista, o que na minha opinião, era o que seria útil para “re-começar de novo”.

Defendo contudo que eles têm responsabilidades, e porque as têm, devem entender-se quanto antes, nos pontos que mostram amplo acordo no Parlamento – nacionalização de sectores chave da economia, resistência ao PEC e à austeridade capitalista, defesa do Estado Social, do Serviço Nacional de Saúde, da Escola Pública, a Água Pública, por exemplo, e que podem dar um novo folego à luta dos “de baixo”.

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