Depois disto…

* “admito que perdi os professores, mas ganhei a opinião pública” (Maria de Lurdes Rodrigues, Junho/2006)

* “vocês [deputados do PS] estão a dar ouvidos a esses professorzecos” (Valter Lemos, Assembleia da República, 24/01/2008)

* “caso haja grande número de professores a abandonar o ensino, semprese poderiam recrutar novos no Brasil” (Jorge Pedreira, Novembro/2008)

* “quando se dá uma bolacha a um rato, ele a seguir quer um copo deleite!” (Jorge Pedreira, Auditório da Estalagem do Sado, 16/11/2008)

* “[os professores são] arruaceiros, covardes, são como o esparguete (depois de esticados, partem), só são valentes quando estão em grupo!” (Margarida Moreira – DREN, Viana do Castelo, 28/11/2008)

retirado do Cantigas do Maio,

não posso deixar de dize Basta!

Manifestção de Professores 2/3 de todos, todos juntos
Manifestção de Professores 2/3 de todos, todos juntos

Este texto foi originalmente enviado a uma reunião de porfessora que fui amavelmente convidado.

Como trabalhador e pai, estive presente nas vossas grandes manifestações. Como sindicalista, representante eleito de trabalhadores, não posso deixar de ter em conta que os Sindicatos são estruturas colectivas de defesa dos interesses dos trabalhadores e suas famílias, posto que a defesa da Escola Pública e Democrática é uma tarefa não só dos professores, mas também dos funcionários públicos do sector da Educação e de todos os sindicatos já que são os nossos filhos que necessitam de uma Escola Pública, Democrática e de Qualidade.

Como sindicalista do Município de Lisboa, sou também representante as Auxiliares de Acção Educativa dos Jardins de Infância da rede pública de Lisboa e, mercê da transferência de competências da Educação para a Administração Local, a breve trecho, com a intensificação acção sindical nas Escolas, não posso de sentir mais responsabilidade na construção da solidariedade entre o meu sindicato e os professores e educadores.

Assim sendo, sou parte interessada na Defesa da Escola Pública e Democrática. Creio que é um terrível erro a corporatização da vossa luta. Creio que é de uma estreiteza de vistas confrangedora o alheamento com que o conjunto do movimento sindical tem olhado para a luta dos professores. Nomeadamente dos Sindicatos da Função Pública, que representam os funcionários não docentes da Escola Pública.

Mesmo que alguns sindicatos dos professores tenham pugnado pela corporatização da luta seria possível a sua ampliação se simplesmente todos os sindicatos manifestassem, das mais variadas formas, incluindo o envio de delegações às manifestações nacionais de Professores, a sua solidariedade.

Romper com as vistas estreitais com que parece afectado o movimento sindical em Portugal, poderia passar pela realização de assembleias de professores, trabalhadores escolares, estudantes e pais onde todo o processo – avaliação, gestão democrática, falta de recursos fosse ampla e democraticamente discutido e se encontrassem medidas de sensibilização e mobilização da população em geral em defesa da Escola Pública.

Foi isso que tentei fazer no meu Sindicato, pese embora sem sucesso imediato.

Mas o meu colectivo sindical entende agora da necessidade de expressar a nossa solidariedade de forma mais eficaz.

Contudo, compreendo que os interesses de alguns sectores sindicais, porventura hegemónicos, receiam o potencial de movimento de massas que poderia ser gerado, paradoxalmente o único que poderia infligir uma derrota à Ministra ao governo e à classe dirigente que anseia pela pulverização da Escola Pública nos meandros da escola-negócio que se afigura na nova legislação em fase de implementação.

Um movimento de massas que poderia colocar em perigo a visão burocrática e centralizadora que domina grande parte do movimento sindical, um movimento de massas que, necessariamente amplo e democrático, colocasse uma dinâmica nova no sindicalismo e fizesse muitos mais professores e outros trabalhadores compreender que a luta, construída na base, apoiada e dirigida democraticamente pode dar frutos.

No nosso Sindicato tivemos recentemente a experiência de da construção de uma greve contra a privatização dos serviços de limpeza, feita desses moldes e que resultou numa greve sólida, com forte compreensão da população e com um recuo em toda a linha do Presidente da CML, que convém não esquecer é um dos dirigentes de topo do partido, governamental.

Deixo-vos a minha solidariedade e disponibilidade de formular propostas de solidariedade activa quer no meu sindicato quer na União Sindical e Confederação que integramos. Peço-vos que me informa das vossas decisões.

Vosso em Solidariedade e Luta

Francisco d’Oliveira Raposo

Dirigente do Sindicato dos Trabalhadores do Município de Lisboa

(a titulo pessoal)

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