Quem manda, mandou plantar 122 ciprestes e oliveiras numa colina artificial em plena Madrid, O Bosque dos Ausentes.
Quem manda chorou hoje, ritualmente, as 122 vítimas do inqualificável atentado que há exactamente um ano abalou Atocha, Madrid, o Estado Espanhol e o Mundo.
Quem manda esteve reunido para discutir pela enésima vez o problema do terrorismo, o frágil equilíbrio entre segurança e liberdade, as mil e uma maneiras de manter as raízes do terror e não deixar que as folhas despontem.

Depois há os outros:

Os que olham, horror nos olhos, o vazio que as bombas ali deixaram, como deixaram as bombas “libertadoras” sobre o Iraque desde há 11 anos, (tenatos Bosques de Ausentes) como o deixaram as bombas “restauradoras da paz” nos Blacãs, (outros Bosques de Ausentes), os 100.000 mortos civis iraquianos, encurralados entre o ocupante grosseiro, brutal e arrogante e o fanatismo promovido a terror sem cara porque necessário é o medo.

Depois há ainda os outros: Os que tendo perdido encontram a razão e a força a dizer não ao sangue gratuito, como a família McKenzie na Irlanda do Norte, os operários de várias cidades industriais do Iraque que lado a lado, xiitas, sunitas, curdos e turcos, se juntaram contra o ocupante e contra o fundamentalismo, os jovens universitários da Universidade de Jerusalém que recusam a lógica do apartheid e promoveram uma lista de judeus e palestinianos à direcção da Associação de Estudante, rapidamente reprimida e banida pelos Serviços de Segurança da Universidade.

Estes plantam algo que, querendo nós, terá raízes mais profundas que o medo e o terror, porque agarrado ao chão onde se vive e produz, baterá o medo que provêm do mundo virtual da especulação e do lucro.

A Floresta dos Presentes não esquecerá os Bosques dos Ausentes. Mas para que haja memória e não ficção, os que mandam terão de sair de cena, os despojados da sorte terão de conquistar os céus.

Os que…
são tantos que não ganham com o terrorismo mas sabem que quem manda ganha muito com ele.
Tantos…

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