“Uma operária tecedeira de meia idade da fábrica Maxwell levantou-se para falar. Tinha uma bela cara, aberta; vestia um vestido de algodão desbotado apesar de se estar no fim do Outono. A sua mão termia nervosa, um dedo brincando com o colar. A sua voz soava com uma qualidade inspirada, inesquecivel.
“Vocês habituaram as vossas mulheres a dormirem em camas macias, a comerem comidas doces” atirou aos delegados da fábrica Putilov [que estavam a propor que aceitassem pelo menos uma retirada temporária]. “É por isso que têm medo de perder os vossos empregos. Mas nós não temos medo. Nós estamos preparadas para morrer, mas nós conquistaremos as oito horas diárias! Lutaremos até ao fim. Vitória ou morte! Viva o dia de oito horas de trabalho!”

Extracto do livro “1905” de L.Trotsky
relatando uma sessão do Soviete de Petrogrado a 12 de Novembro de 1905

Hoje esgotaram-se as flores e prendas
as palavras de apreço e valor
e foram torrentes as hipócritas declarações
dos que são forçados a esconder
que prefeririam as mulheres em casa
para aumentar ainda mais uns cêntimos
os lucros dos que tudo têm.

Hoje falou-se de igualdade
Mas há umas mais iguais que outros
quando as mulheres são mais pobres, mais vítimas, mais excluídas

Hoje esconderam cuidadosamente os cadáveres das mártires de Nova York, nos EUA
que há 140 anos foram imoladas pelo fogo assassino
de um “empreendedor” capitalista
porque se atreveram a lutar pelas 8 horas.

Pudera,
se agora nos convenceram que a noite apenas começa às 22 horas
que o trabalho é um acto de caridade,
que temos de trabalhar até cair mortos,
e às mulheres,
ou proíbem que engravidem,
ou castigam se abortam,
querem-nas mães carinhosas,
esposas extremosas
e campeãs da produtividade.

Que não se queixem se trabalham 12 horas,
passam mais 2 horas em comboios sobrelotados
e chegam a casa para limpar o pó,
fazer as camas,
cozer as batatas,
deitar os putos
e serem cama
dos que se deixam embrutecer,
numa lógica de domínio mesquinho,
porque na casa mandam eles.

Foi há 100 anos que a mulher de meia idade gritou.
Ou foi ontem?
Ou será amanhã?

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