Passou ontem o Dia Mundial em Memória das Vítimas da Estrada.
Entre nós, onde apenas este ano já perdemos mais de 1000 pessoas em desastres rodoviários, Évora e o IP4 chegaram a todo o país via TV.
Os políticos do sistema choraram mais uns litros de lágrimas de crocodilo.
O Instituto Nacional das Estradas, herdeiro do pequeno “estado dentro do Estado” que era a JAE e que tem como actividade principal fornecer obras públicas aos grandes grupos da construção, deu um arzito de pesar.
A culpa, que neste caso nunca pode morrer solteira, é a inconsciência dos condutores, a velocidade,as manobras perigosas, – o que até é verdade – mas tudo menos os traçados assassinos, as estradas degradadas, as lombas em curva incompreensivelmente que proliferam, as péssimas e contraditórias sinalizações, … enfim.
Falou-se ontem, hoje vai-se falar e lá para o Natal, oficiais da GNR e da PSP , porta-vozes do INEM, os Marcelos Rebelos de Sousa que estiverem de serviço, o INEM, a CVP, as “celebrities” do costume e mais algumas que forem arregimentadas, eu sei lá quem mais irão apelas à consciência, à segurança, contra o excesso de velocidade.

Mas porque é que tenho sempre a sensação que todos esses “esforços” e muitos outros genuínos esforços são gorados pela implacável máquina do lucro, pela valorização social construída ´`a volta de ter um carro potente, pela fabricação do mito da “velocidade e potência”, permanentemente reproduzida pelos diversos suportes mediáticos em benefício da industria automóvel?

E no entanto, com o espantoso desenvolvimento da ciência e da técnica, seria efectivamente possível impedir as “corridas de morte” que diariamente se travam nas nossas estradas e ruas: reditores de potência dos motores, motores menos potentes, pensem, procurem, soluções, seguramente não faltariam.

Isto aliado a transportes colectivos eficientes, frequentes, confortáveis, conjugado comum sentido de bem e responsabilidade comum do que é a vida, da promoção da solidariedade humana como factor central da vida em comum.

Mas isso seria atentar contra o “sagrado” direito de lucrar com motores mais potentes, reduzir a níveis decentes os gastos petrolíferos, sobrepor a entreajuda ao sagrado direito de ser “o melhor dos melhores”, combater as 1001 manifestações de “chico-espertismo” que começa pelos governantes e acabam por cada um de nós.

Paz na estrada? Receio que não neste tipo de sociedade!

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