“É fácil, paizinho: olha…”

À maravilhosa aventura da descoberta juntara os prazeres da partilha.

Todos os dias, na forma críptica de quem, tudo descobre no correr dos dias, relatava as coisas telegraficamente, esbracejando freneticamente os bracinhos, enfatizando os seus amores e desamores.

“Fez desenhos, cantou, papou, fez ó-ó, brincou…”

Sim, que as crianças têm mesmo esses códigos, marcados pelo “Gosto” / “Não Gosto”. Só mais tarde, – muito mais tarde – aprendemos a acomodar o que sentimos e pensamos ao que os outros querem de nós.

Tivera nesse dia a sua primeira “aula de ginástica”. Queria agora mostrar as habilidades.
Obrigou-me a sentar no chão: “Senta!”.

Depois mostrou, com facilidade, a habilidade: levantou o pézito à cabeça.

Olhou-me, entre orgulhosa e expectante: “Faz tu!”

Quis-lhe explicar que um homem já não conseguia fazer aquela habilidade, que os ossos … etc.

Não quis ouvir: “É fácil: olha!”.

A minha incapacidade ginástica deu, talvez, um dos primeiros desgostos à minha filhota.

Enfim, é a vida…

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