Do Espelho

o espelho/ dorme/
transparente/
vestido
do seu/
desencontro’

na reflexão matinal
o espelho
devolve
o som quente
da tua voz
e no ar
paira
a imagem suave
do teu
rosto

ensombras-me
com o sol
os dias
cinzentos

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Solidariedade com os companheiros do MAS agredidos na manifestação contra os incêndios

Socialismo Revolucionário

22788814_305508533190428_1028457078129888287_n Faixa utilizada por militantes do MAS na manifestação de Sábado

No passado dia 21 de Outubro, Sábado, estavam convocadas, em dezenas de cidades por todo o país, manifestações contra a calamidade dos incêndios deste ano. A morte de mais de 100 pessoas e o cenário de completa devastação de centenas de milhares de hectares de floresta criaram uma justa onda de indignação que exige respostas.

Por detrás desta catástrofe estão as políticas das últimas décadas levadas a cabo pelos sucessivos governos do PS, PSD e CDS. Tanto a nível nacional como local. Já o dissemos antes, a austeridade e os cortes matam. Neste caso a privatização, o desmantelamento de serviços públicos (de emergência e protecção civil) e a liberalização do eucalipto, são o cocktail que deitou fogo à nossa floresta.

As mobilizações de sábado não foram organizadas pela esquerda e os sindicatos, como deveriam ter sido e como ainda poderão…

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Estou aqui…

A Coisa -IEstou aqui, sentado, neste café vazio, o olhar a pairar não sei bem onde e a sombra do entardecer a deslizar entre mesas e cadeiras.

O aroma do café, já bebido, funde-se com o grão recentemente moído num ruído enervante que mitigou brevemente o silêncio que paira por aqui.

No balcão o dono, velhote, tenta esconder a sonolência limpando pela enésima vez a montra desprovida de salgados e doces, esvaídos pelas vorazes horas dos almoços apressados dos que não tem tempo, ou dinheiro, para os almoços com que sonham.

Estou aqui sentado, neste café vazio, sabendo que serão longas as horas de solidão que se avizinham. A casa despida de vida não me parece o porto de abrigo com que almejo. Nem as ruas, com a penumbra a trasvestir-se rapidamente de escuridão e solidão.

Como cheguei aqui, pergunto-me. Mais ainda, como sairei daqui?

A minha vida tem sido de partidas e chegadas a lado nenhum. Tenho perto de 60 anos e vivi intensamente, mas estou cansado. E a vaga e persistente sensação que A Coisa ainda irá acontecer.

Estou aqui, sentado, neste café vazio, o olhar a pairar não sei bem onde e a sombra do entardecer a deslizar entre mesas e cadeiras.

Espero A Coisa.